1. O Ritual da Oração e sua Sabedoria

June 22, 2013 in A Última Religião Divina ISLAM

O ritual da oração (doravante, “oração”) é uma forma de adoração que se inicia com o takbeer (o ato de pronunciar a frase Allahu Akbar, que significa Deus é O Maior) e termina com salaam, ou seja, cumprimento de Paz. Ela contem certas ações e palavras.[1] Deus Todo-Poderoso ordenou as pessoas que façam a ablução, mantendo seus corpos, roupas e ambiente limpos antes de realizar  atos de adoração como a oração, a circundar a Kaaba e recitar o Qur’an. Quando nós investigamos os tópicos da ablução e do ritual de banhar-se (al-ghusl) , nós podemos observar como o Islam dá grande importância a limpeza física em adição a pureza espiritual. Por essa razão, todos os livros básicos e avançados de jurisprudência islâmica, começam com a importância da limpeza. Assim, um dos benefícios da oração para a humanidade e fazê-la viver uma vida  limpa. A importância da limpeza na vida humana não necessita de demonstrações.

Mais ainda, as orações protegem as pessoas de cometerem todo o tipo de ação maligna. Ele também impede a busca cega pelo auto-interesse e tendências que nos levam a vagar sem rumo e de modo incontrolável.[2] Sendo praticadas cinco vezes ao dia esta se torna o mais eficaz antídoto contra os desejos carnais que nos privam do constante ato de relembrar de nosso Senhor. Ela freia desejos e paixões e constantemente nos direciona para a justiça e para o caminho reto em todos os assuntos. Assim, enquanto o crente ora por amor a Allah, ele também acaba a aperfeiçoar tanto a sua vida material quanto a sua vida espiritual por estar protegidos dos males e dos desejos de sua própria condição carnal.

A oração estabelece nas mentes a verdade de que Allah possui domínio exclusivo sob o mundo e demonstra como o ser humano naturalmente sente isso.

Orar cinco vezes ao dia salva as pessoas da monotonia de seu dia-a-dia e conforta seus corações. Ao retirar momentaneamente a humanidade de todos os tipos de preocupações mundanas, ajudando-as a expressar sua submissão e gratidão para com o seu Senhor. Ao mesmo tempo, a humanidade, durante a prostração, enfrenta-se e encontra oportunidades que tendem para o mundo interior. Matt Salesman, um norte-americano convertido ao Islam e ex missionário, disse certa vez: “Orando eu encontro serenidade e tranqüilidade – especialmente nas orações de sexta-feira! Quando estou na mesquita é um momento especial para mim, para que eu possa dar serenidade a minha alma.”[3]

O também muçulmano convertido, Timothy Gianotti, professor na York University de Toronto, Canadá, disse: “É como seu eu capturasse a paz quando me prostro. É como se eu me senti-se mais a salvo. Como se eu estivesse numa terra de paz. E quando eu me prostro eu me sinto como se eu houvesse retornado para casa após uma longa viagem. Talvez como se eu tivesse chego a presença de Allah. Isto é tudo o que eu consigo descrever. Orar é um sentimento de paz e tranqüilidade.”[4]

Assim como a oração é o sustento espiritual para a alma, ela também representa cura para o corpo. É uma verdade já bastante conhecida que a  oração fornece a possibilidade para que diversos órgãos se movam, para que as articulações dobrem-se e para que os músculos comprimam-se e relaxem, promovendo assim uma integral movimentação do corpo. A oração também é um elemento de balanço na vida dos muçulmanos. Este ato de adoração que é realizada em tempos pré-determinados e com regras especificas, habituam as pessoas a disciplinarem e a regularem suas vidas.

Os muçulmanos podem realizar suas orações individualmente quando quiserem, porém o Islam os encoraja a orarem juntos para que estabeleçam um estado de congregação. Isto se da porque as orações realizadas em congregação nos ensinam a nos mantermos unidos como servos de Allah sem quaisquer tipos de discriminações baseados sobre peculiaridades como raça, cor, idioma, posição ou status quo. Nós nos integramos e nos ajudamos mutuamente criando assim um ambiente onde as relações sociais reforçam a consciência de que somos uma nação (ummah). Num ambiente comunal onde as mesmas idéias e objetivos são compartilhados, as diferenças entre os indivíduos podem ser na maioria das vezes superadas, e os sentimentos de equidade e fraternidade são estabelecidos nos corações e onde a paixão pela religião prevalece.

De fato, orar cinco vezes ao dia é um pequeno e fácil dever a ser executado pelos seres humanos. Dentro de 24 horas o tempo total que um muçulmano vai gastar deixando seus assuntos mundanos e elevando-se a presença de Allah será algo em torno de apenas 24 minutos diários. Com este pequeníssimo sacrifício a humanidade recebe muitos benefícios tanto materiais quanto espirituais.



[1].      algumas pessoas acreditam que os muçulmanos adoram a Kaaba enquanto realizam suas orações. Este é um pressuposto extremamente equivocado. Os muçulmanos não adoram nem a Kaaba e nem a Pedra Negra (Hajar Al Aswad), também não se prostram para eles  ou voltam-se em intenção para eles. A direção na qual o muçulmano se volta não é construção denominada Kaaba, mas a área na qual ela foi construída. Mesmo que a Kaaba seja destruída ou restaurada, isso não mudará a direção na qual os muçulmanos oram, quando oram as pessoas se voltam para aquela direção independente da existência daquela contrução (Prof. Dr. M. Hamidullah, Islâm’a Giriş (Introduction to Islam), p. 108). Com a disseminação do paganismo em Meca, apesar de muitos ídolos terem sido erguidos dentro e ao redor da Kaaba, a Kaaba em si nunca foi afiliado a nenhum ídolo e sempre foi chamada “Beytullah:. A Casa de Deus”. Por ficar presa com o politeismo as pessoas historicamente haviam adorado muitas pedras, arvores, etc., mas eles sempre veneraram muito a Kaaba, Hajar Al-Aswad, e o posto de Abraão, sem nunca adorar a estes locais. Esta é um especial proteção contra o politeismo feita por Allah, O Elevado.

 

[2].      Al-Ankabût (A Aranha) 29:45.

 

[3].      Ahmet Böken – Ayhan Eryiğıt, Yeni Hayatlar (Vidas Novas), I, pp.49.

 

[4].      Ahmet Boken – Ayhan Eryiğit, Yeni Hayatlar (New Lives),I, 19. Para as historias de vida de pessoa que chegaram ao Islam após esta publicação, ver: Prof. Dr. Ali Köse, Conversion to Islam: A Study of Native British Converts (Conversão ao Islam: Um estudo de britânicos nativos convertidos ao Islam), London: Keagan Paul International, 1996; A. Arı – Y. Karabulut, Neden Muslüman Oldum (Porque Eu me Tornei um Muçulmano), Ankara: Diyanet Işleri Başkanlığı (Republic of Turkey, Presidency of Religious Affairs) pub., 2007; Defne Bayrak, Neden Muslüman Oldular? (Porque Eles se Tornaram Muçulmanos?), Istanbul: Insan yayınları, 2008.