b. O período da profecia

June 22, 2013 in A Última Religião Divina ISLAM

Quando o Mensageiro de Allah completou quarenta anos, Allah Todo-Poderoso concedeu-lhe a profecia com a seguinte ordem “Lê, em nome do teu Senhor Que criou; Criou o homem de algo que se agarra.” (Al-Alaq (O Coágulo) 96:1-2)

Nos primeiros dias após declarar seu chamado, o Mensageiro de Allah (que a paz e as estejam bênçãos com ele) se dirigiu ao povo da tribo dos coraixitas de uma pedra no alto da colina da Safa:

“Ó comunidade dos Coraixitas, Se eu vos disser que nos arredores das montanhas ou dos vales, estão às cavalarias inimigas prestes a atacá-los e aproveitar-se de suas propriedades, vocês acreditariam em mim?” Ele perguntou. O povo sem hesitar respondeu:

“Sim, nós acreditariamos em você porque até agora temos sempre achado que você diz a verdade. Nós nunca ouvimos falar que você mente!” Diante disso, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos estejam com ele) anunciou que ele era um profeta-admoestador enviado por Deus. Com grande emoção ele disse às pessoas que quem acreditar em suas palavras e viver uma vida boa seguindo os comandos de Allah, seriam recompensados com os presentes mais luxuosos na outra vida, e que os descrentes enfrentariam um tormento severo. Ele transmitiu a eles que era necessário se prepararem para a próxima vida que é infinita, enquanto se está nesse mundo. Mas ele logo descobriu que era muito difícil afastar as pessoas de suas crenças erradas.[1]

O Mensageiro de Allah (que a paz e as estejam bênçãos com ele) não deixou pedra sobre pedra durante o convite às pessoas para a verdade, após aquele dia, independente do tormento ou opressão. Ele costumava sair de porta em porta visitando as pessoas, visitou os peregrinos e os mercadores, ele costumava chamar as pessoas para o caminho correto em todas as oportunidades. Ele nunca ficava entediado ou farto com eles, ele costumava pelo contrario, ser paciente e repetir-lhes as mesmas verdades, até mesmo para as pessoas que eram hostis a ele e o tratavam de maneira feroz. Ao dizer às pessoas que “Dize-lhes (ó Mohammad): Não vos exijo recompensa alguma por isto, e não me conto entre os simuladores.”[2] Ele mostrou as pessoas que ele divulgava a religião exclusivamente por amor a Deus.

O Mensageiro de Allah (que a paz e as estejam bênçãos com ele) era iletrado: como muitas pessoas na época dele, ele não sabia ler nem escrever.[3] Assim, foi impossível para ele ter aprendido as coisas que ele disse de outra pessoa ou lê-las em algum livro e, em seguida, relatá-los. Para uma pessoa analfabeta, como era ocaso da maioria, ter um início súbito e passar a dar fragmentos de informações muito importantes no mais alto nível de eloqüência e fluência seria possível apenas pela revelação Divina. Mesmo os seus inimigos no momento sabiam e reconhecia isso.

Os pagãos costumavam apreciar a moral de nosso mestre o Profeta, e acreditavam sinceramente que ele não estava mentindo. Mas eles não estavam dispostos a abrir mão dos benefícios mundanos obtidos injustamente ou dos seus desejos carnais. Um dia, O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos estejam com ele) foi parado por Abu Jahl e seus companheiros, que eram inimigos do Profeta. Eles lhe disseram:

“Ó Muhammad, por Allah, nós não estamos rejeitando você, te consideramos uma pessoa extremamente sincera. Entretanto, nós rejeitamos os versos que você trás.”[4]

Os pagãos tentaram de tudo para que o Profeta desistisse de sua missão. Eles pediram ao seu amado tio que interviesse. Eles vieram até o nosso mestre com propostas atrativas, como coroá-lo rei, dar-lhe fortunas, dar a mão da mulher mais bonita em casamento, a ele disseram, “nós estamos prontos para fazer o que você quiser.” O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos estejam com ele) respondeu-lhes de maneira lúcida e clara:

“Eu não quero nada de vocês, nenhum bem, nada material, nenhum reinado, nenhuma chefia. A única coisa que desejo de vocês é isto: que parem de adorar os ídolos e adorem unicamente a Allah!” (Ibn-i Kathir, Al Bidaya, III, 99-100)

Quando os pagãos deram conta que não conseguiram firmar nenhum acordo com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos estejam com ele) eles decidiram partir para ações hostis. Eles aumentavam a opressão e a tortura contra os muçulmanos a cada dia que passava. Alguns dos muçulmanos imigraram para a Etiópia, que estava sob uma única administração na época.

Os pagãos quebraram todas as relações humanas com os muçulmanos e com seus protetores, os Banu Hashim (a tribo do Profeta), incluindo casamentos e transações civis. Eles consagraram tal ação em um pacto escrito e afixado na parede da Kaaba. Este boicote e embargo continuaram agravando-se em um período de três anos. Os muçulmanos sofreram muito com a fome e outros problemas. O Mensageiro de Allah na companhia de Ziad Bin Haris foram a cidade de Taif, a 160 quilômetros de Meca. Eles ficaram lá PR 10 dias pregando aos lideres da tribo de Thaqif, alguns deles eram parentes da mãe do Profeta. Mas eles também zombaram dele e começaram a injuriá-lo. Então eles colocaram seus escravos e filhos nas laterais da estrada na qual o Mensageiro de Allah estava e começaram a atirar-lhe pedras e insultá-lo. Mesmo diante deste ato hediondo, o Profeta da misericórdia, embora sangrando ao ponto de suas sandálias colarem em seus pés, não os amaldiçôo, mas orou a Deus:

“Ó Allah! Submeto-me pois a minha força se foi, eu sou impotente, estou sendo considerado baixo e sem valor aos olhos das pessoas. O Misericordioso! Se você não está com raiva de mim e não se preocupa com as preocupações e problemas que eu tenho! Ó Allah! Você pode abrir os olhos deles  para a verdade, eles não a conhecem. Ó Allah! Eu suplico o seu perdão aqui até que o Senhor estejas satisfeito.” (Ibn-i Hisham, II, 29-30; Haythami, VI, 35)

O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos estejam com ele) relata sua volta de Taif da seguinte forma:

“Eu estava no caminho de volta e andava em profunda tristeza. Cheguei a um lugar chamado Sealib Karnul não conseguia me recompor. Quando eu levantei a minha cabeça avistei uma grande nuvem que me cobria. Quando eu olhei com mais cuidado percebi que era Gabriel (a paz esteja com ele). Gabriel disse-me:

‘Allah Todo-Poderoso ouviu o que aquelas pessoas disseram a você e como eles recusaram dar proteção a você. Então Ele lhe enviou o Anjo das Montanhas para você fazer o que quiser com eles.’ Então o Anjo das Montanhas, cumprimentou-me e disse:

‘Ó Muhammad, Allah Todo-Poderoso me enviou a você para que eu cumpra a sua ordem. O que você quer que eu faça? Se você quiser eu posso colapsar essas duas montanhas na cabeça deles.’ Então eu disse:

“Não. Eu rogo a Allah, o Todo-Poderoso que Ele permita que nasçam em sua descendência linhagens que adorem somente a Ele, e não associam parceiros a Allah.” (Bukhari, Bed-ul Halk, 7; Muslim, Jehad, 111)

Naqueles dias, um grupo de pessoas que vieram de Medina tornou-se muçulmanos. Eles começaram a pregar o Islam em Medina. Eles pediram ao nosso mestre o Profeta para enviar uma pessoa experiente. Em um curto período, não havia casa que não houvesse aderido ao Islam. No passado, eles convidaram o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos estejam com ele) para viver em Medina e prometeram que iriam protegê-lo.



[1].      Ver: Bukhari, Tefsîr, 26/2; Ahmad bin Hanbal, I, 159, 111.

 

[2].      Sâd, 38:86.

 

[3].      Al-Ankabût (A Aranha) 29:48.

 

[4].      Vâhidî, Esbâbü Nüzûl, p. 219; Tirmizî, Tefsîr, 6/3064.