1. O Meio Ambiente

June 22, 2013 in A Última Religião Divina ISLAM

Deus Todo-Poderoso afirma que Ele forneceu tudo que se encontra no meio ambiente para os seres humanos se beneficiarem. A fim de sermos devidamente agradecidos por isto, precisamos nos aproximar do meio ambiente com consciência de que nos foi confiado por nossa responsabilidade. Ser desdenhoso com o meio ambiente, seja por destruí-lo ou sujá-lo demonstrando nossa ingratidão provoca danos que acabaram por nos prejudicar.  Deus Todo-Poderoso disse:

“A corrupção surgiu na terra e no mar por causa do que as mãos dos humanos lucraram. E (Deus) os fará provar algo de que cometeram. Quiçá assim se abstenham disso.” (Ar-Rum (Os Bizantinos) 30:41)

Na verdade Deus Todo-Poderoso já havia ordenado “E elevou o firmamento e estabeleceu a balança da justiça, para que não defraudeis no peso.”[1] No entanto, a humanidade não obedeceu e agora ela paga o preço.

Refletindo com serenidade e beleza em seu coração um muçulmano trata os outros seres humanos, animais, plantas, e até mesmo os seres inanimados de uma forma gentil e agradável. Ele é cuidadoso para não ferir nenhum ser vivo. Um dia, um funeral passou pelo Nosso Mestre, o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos estejam com ele) disse:

“Ou ele alcançou o repouso ou os outros se salvaram dele.” Os Companheiros então perguntaram:

“Ó Mensageiro de Allah (s.a.a.s) o que o Senhor quis dizer com “Ou ele alcançou o repouso ou os outro se aliviaram dele.” O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos estejam com ele) disse:

“Quando um crente morre, ele é salvo do cansaço e das preocupações do mundo e ele alcança a misericórdia de Allah. Quando um pecador ou uma pessoa má morrem, as pessoas, a terra, as árvores e os animais são salvos  dele, e encontram a paz.” (Bukhari, Rikak, 42; Nesai, Cenaiz, 48; Ahmed, V, 296, 302, 304)

Os seres humanos devem evitar coisas que possam incomodar os outros em todos os lugares e em cada situação. Despejar poluentes e lixo na terra, na água, no ar e nos cenários urbanos das cidades, das vilas e das aldeias em que vivemos são atos que não se encaixam com a honra e a dignidade dos seres humanos. Isso não é ser atencioso com os outros e com nós mesmos.

Os muçulmanos são ensinados a considerar que os outros podem sentir-se incomodados e as belezas naturais são estragadas por causa de seu lixo. Eles consideram que um requisito para ser um crente maduro é evitar desarrumar as cascas de sementes e nozes. Também juntarem seu lixo após a refeição, organizando os resíduos tais como garrafas, latas, papeis, embalagens e outras coisas que incomodam os seres humanos e animais nas ruas, caminhos, e áreas para piquenique. Nosso Mestre o Profeta (que a paz e as bênçãos esteja com ele) sempre juntava as coisas que ele julgasse que iria prejudicar as pessoas, tais objetos poderiam ser apenas espinhos de um arbusto, mas se ele notasse que isso atrapalharia os transeuntes ele  as retirava e o estabelecia como um dos componentes da crença,[2] e nos informou que Allah não se agrada com quem incomoda os outros. Muaz Bin Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) narrou:

“Eu estive em uma expedição militar como Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos estejam com ele). Os soldados reduziram a área de acampamento e bloquearam a estrada. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos estejam com ele) enviou um mensageiro dizer o seguinte para os soldados:

“Todo aquele que restringe alguém ou o bloqueia de alguma forma (ou incomoda um crente), essa pessoa não tem qualquer uma das recompensas do jihad” (Abu Dawud, Jehad, 88/2629; Ahmad, III, 441)

Aqui, nosso mestre o Honorável Profeta (que a paz e as bênçãos estejam com ele) que é errado bloquear vias publicas desnecessariamente ou incomodar os servos de Allah sem nenhum motivo e aqueles que agem dessa forma perdem sua recompensa divina.

Por esta razão, devem-se evitar atos que possam incomodar as pessoas como despejar lixo ou cuspir em vias públicas, estacionar de forma indevida ou ainda deixar objetos pelo caminho que tornem difícil o trafego e contorno dos mesmos. Os muçulmanos não só estão atentos para não incomodaram os outros seres vivos, como também, eles estão a serviço dos outros seres vivos por estes serem criaturas de Allah. O famoso escritor francês Montaigne mencionou que “os muçulmanos turcos tem até fundações e hospitais construídos para os animais.” Guer, um advogado francês que visitou o Império Otomano no século XVII, mencionou em seu relato um hospital para cães e gatos doentes em Damasco. A cerca desses tipos de fundações, o Prof. Dr. Sibai nos informa que:

“Na antiga tradição das Fundações, há espaços onde se tratam e alimentam animais doentes. Os campos verdejantes (Parte da atual área arborizada ao redor de Damasco) são pastagens que foram doadas para a alimentação de animais de carga que foram abandonados pelos seus donos, devido a diminuição da sua força de trabalho. Os animais pastam livres neste espaço até o momento de sua morte. Entre as Fundações em Damasco, haviam espaços onde os gatos eram tratados com comida, bebida e local para se exercitarem. Tanto que haviam centenas de gatos que trafegavam naquele espaço todos os dias e que não tinham problema em encontrar seu alimento diário.”

A religião do Islam aloca grande importância sobre os seres vivos, sendo natural, que tratem as árvores e os campos da melhor maneira. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos estejam com ele) disse:

“Mesmo que estejamos na eminência do Dia do Juízo, se um de vós tiver uma semente na mão, ele deve plantá-la antes do fim do mundo caso ele possa fazê-lo.” (Ahmad, III, 191, 183)

Abu Darda (que Allah esteja satisfeito com ele), que está entre os Honoráveis Companheiros plantou uma árvore. Alguém se aproximou dele demonstrando espanto e disse:

“Mesmo sendo um dos Companheiros do Profeta, você esta ocupando-se com o plantio de árvores?” Abu Darda lhe respondeu:

“Acalme-se, não me julgue tão rapidamente. Ouvi o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos estejam com ele) dizer:

“Se alguém plantar uma árvore e as criaturas de Allah se alimentarem do fruto desta árvore, isto equivalerá a uma caridade.” (Ahmad, VI, 444. See Muslim, Musakat, 7) Novamente o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos estejam com ele) disse:

“Quem corta um ramo (sombra) de uma árvore (sem uma boa razão) Allah arrastara a cabeça dessa pessoa para o inferno.” (Abu Dawud, Adab, 158-159/5239)

Nosso mestre o Profeta (que a paz e as bênçãos estejam com ele) proibiu os exércitos de cortarem as árvores, devastar a vegetação, e caçarem, anunciando que Medina e Taif, junto com Meca eram locais sacrossantos sendo portanto um ato  haram (ilícito) realizarem tais coisas.[3] Novamente sobre o campo de colheitas da tribo de Banu Haritha, ele disse: “Quem cortar uma árvore neste campo deve plantar outra para substituí-la.”[4]

O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos estejam com ele), assim, ergueu uma sociedade que é amável e respeitosa com todas as criaturas, constantemente aconselhando-as a proteger a paisagem e o nosso meio ambiente. O primeiro califa, Abu Bakr (que Allah esteja satisfeito com ele) em um discurso aos seus soldados quando estes se preparavam para uma expedição militar também comprovou a assertiva anterior, da seguinte maneira:

“Não traiam, não roubem os espólios de guerra, não persigam, não torturem removendo pedaços dos corpos de seus prisioneiros tais como orelhas e narizes; não matem crianças, idosos ou mulheres; não derrubem as árvores e não as queimem. Não cortem as árvores frutíferas, não abata ovinos, vacas e camelos que não irão comer! Vocês irão encontrar pessoas que se enclausuraram em mosteiros e estão ocupados com sua adoração: deixai-os  sozinhos com sua adoração…”[5]

O Conde de Bonneval percebeu esta sensibilidade nos muçulmanos e disse espantado: “É possível até mesmo observar turcos no Império Otomano que vão aos extremos para que árvores infrutíferas enfraqueçam, devido ao calor, eles empregam dinheiro e pagam pessoas para regalas todos os dias.”



[1].      Ar-Rahmân (O Clemente) 55:7-8.

 

[2].      Muslim, Îmân, 58.

 

[3].      Abu Dawud, Menasık, 96; M. Hamidullah, İslam Peygamberi (O Profeta do Islam), Istambul 2003, I, 500; a.mlf., el-Vesâik, Beirut 1969, pp. 236-238, 240; Ali Rıza Temel, “İslam’a Göre İnsan Çevre İlişkisi” (O relacionamento do homem com o Meio Ambiente de acordo com o Islam, İnsan vê Çevre (Homem e Meio Ambiente), p. 77.

 

[4].      Belazuri, Fütûhu’l-büldân, Beirut 1987, p. 17; İbrahim Canan, İslam ve Çevre Sağlığı (O Islam e a saúde ambiental), İstambul 1987, pp. 59-60.

 

[5].      Beyhaki, es-Sünenü’l-kübrâ, IX, 85; Ali el-Müttakî, Kenz, no: 30268; İbnü’l-Esîr, el-Kâmil, Beirut 1987, II, 200.